A contribuição mínima INSS é a escolha de muitas mulheres para garantir acesso à aposentadoria e outros benefícios, mas o valor que você vai receber lá na frente também será proporcional. Entenda quando vale a pena e quando é melhor repensar essa estratégia.
Por que tantas mulheres optam pela contribuição mínima ao INSS?
É muito comum encontrar mulheres que, para “não ficar descoberta”, começam a pagar o INSS com o valor mínimo permitido.
Algumas se registram como MEI (Microempreendedora Individual), mesmo sem ter um negócio formal ativo, apenas para garantir a contribuição reduzida.
Outras contribuem como dona de casa de baixa renda, também com alíquota de 5%, o que equivale a R$ 75,90 (2025).
Há ainda quem opte por contribuir como:
- Facultativa ou individual com 11%, o que dá direito apenas à aposentadoria por idade — valor de R$ 166,98 por mês (2025);
- Ou com 20%, para ter direito também à aposentadoria por tempo de contribuição — o valor mínimo nesse caso é R$ 303,60 (2025), usando o salário mínimo como base.
Contribuir com o mínimo pode garantir direitos importantes, mas será que é suficiente para o futuro que você deseja?
Como a contribuição mínima ao INSS afeta o valor da aposentadoria?
Ao escolher o valor mínimo, o sistema também calcula a sua aposentadoria com base nesse patamar.
Ou seja: o benefício futuro também será baixo, geralmente próximo de um salário mínimo, mesmo que você contribua por 30 anos ou mais.
Desde a Reforma da Previdência, a regra padrão passou a ser o cálculo com base na média de 100% das contribuições feitas desde julho de 1994. Isso significa que, quem contribuiu com valores baixos durante muito tempo, pode ter o valor final reduzido, mesmo tendo completado idade e tempo para se aposentar.
Em algumas exceções específicas, como casos de direito adquirido antes da reforma, pode haver regras diferentes, com média de 80% das maiores contribuições. Mas, essa possibilidade é cada vez mais rara.
Quando a contribuição mínima ao INSS vale a pena?
Pagar o mínimo ainda é uma boa escolha em alguns casos, por exemplo:
– Para quem quer contar o tempo e completar os 15 anos mínimos da aposentadoria por idade;
– Para pessoas com renda limitada, que não conseguiriam manter contribuições mais altas sem comprometer o orçamento;
– Para garantir a qualidade de segurada e ter acesso à pensão por morte ou auxílio-doença.
Nesses casos, o foco é garantir o direito, mesmo que o valor do benefício não seja alto.
E quando não compensa optar pela contribuição mínima ao INSS??
Se você deseja se aposentar com um valor maior, a contribuição mínima provavelmente não será suficiente para atingir esse objetivo.
Também não compensa para quem pretende se aposentar por tempo de contribuição (em alguma regra de transição), porque:
– O valor será calculado sobre a média,
– E não existe mais a aposentadoria integral automática, mesmo com 30 anos.
Ou seja: contribuir com o mínimo pode te dar o direito, mas não vai te garantir um bom valor.
Qual a melhor estratégia para sua aposentadoria no INSS?
Sim. A melhor escolha é sempre a que equilibra o seu momento financeiro com os seus objetivos futuros.
Talvez pagar o mínimo seja suficiente agora, mas com o tempo seja possível aumentar.
Ou então, pagar acima do mínimo por alguns anos estratégicos pode melhorar bastante o valor final do benefício.
O importante é fazer isso com clareza, não no escuro.
Conclusão
Contribuir com valor baixo é melhor do que não contribuir, mas nem sempre vai te levar onde você deseja.
Antes de decidir, é importante entender qual o seu objetivo com essa contribuição:
– Ter acesso a benefícios?
– Contar tempo?
– Melhorar o valor da aposentadoria?
Cada resposta pode levar a um caminho diferente e te ajudar a construir um futuro mais seguro.
Thaysa Milanez
Advogada Especialista em Previdência e Patrimônio Familiar
Para mulheres que valorizam seus direitos, sua história e o futuro que desejam viver
*Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a orientação jurídica personalizada.